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domingo, 30 de agosto de 2015

Sétima Etapa: Texto: Prática Pedagógica e Mídias Digitais


Será que as novas tecnologias podem servir de auxílio no processo de ensino? Como devemos usá-las? Caberá a cada um de vocês, segundo suas necessidades e possibilidades, responder esses questionamentos. Va mos analisar e explorar algumas possibilidades de incorporar esses meios ao trabalho pedagógico.

O termo multimídia, que há algum tempo está presente em muitos ambientes, tem a mesma raiz que hipermídia e se refere a produtos que incluem mais de um tipo de meio de comunicação, ao mesmo tempo, como textos, sons, imagens, projeções, animações, gravações de audio, etc. Não é de hoje que as mais diversas atividades, como peças de teatro, shows, revistas e enciclopédias, dentre outras, trazem apelos lançando mão desse conceito. 

Na verdade convivemos com elementos multimídia há muito tempo, mesmo sem termos nos dado conta disso. Assim, a televisão e o cinema são, intrinsecamente, produções multimídia que reúnem várias formas de comunicação: som, imagens e textos.

Conhecendo objetos em multimídia

O uso de computadores nas mais diferentes mídias já é praticamente universal. Em todos os canais de comunicação, as tecnologias digitais possibilitam novas maneiras de criação. Provavelmente, um dos exemplos que primeiro nos vem à mente é o cinema. Vemos, hoje, filmes que são inteiramente produzidos em computadores, desde o cenário até as expressões faciais dos personagens. Mais próximo da nossa realidade, no entanto, estão os dois vídeos que selecionamos para assistir nesta unidade. Ambos são bons exemplos das possibilidades geradas pelo computador e, para sua produção, não requerem mais que um computador, uma boa câmera digital, alguns equipamentos de som, uma boa técnica e muita criatividade.

O primeiro vídeo, chamado COIEDA, é uma produção do artista japonês  Takagi Masakatsu. Ele utiliza formas geométricas simples e as anima, intercalando essas formas com filmagens editadas e trabalhadas em seu computador. Repare que música e imagem procuram dialogar de modo muito especial nesse vídeo. Observe que esse tipo de arte só é possível com o uso das tecnologias digitais.

Acesse o vídeo no link:

O segundo vídeo, mais simples que o primeiro, tecnicamente falando, foi feito pelo artista brasileiro conhecido na rede como “Mystery GuitarMan”. Repare que tudo o que ele precisa para fazer o vídeo está dentro da sala do apartamento dele: uma webcam e um microfone conectados ao computador, balões e seu teclado. Depois de gravar as diferentes “vozes” obtidas por meio de fricção na extremidade dos balões, ele as editou e as colocou juntas em um mesmo vídeo, reproduzindo o tango “Por Una Cabeza”, de Carlos Gardel. Acesse o vídeo no link:

Os dois exemplos anteriores usam, intensivamente, as novas tecnologias digitais; o próximo, aparentemente, não usa nenhuma tecnologia. Assim, perguntamos: Você consegue imaginar uma música que seja tocada com o corpo humano? Bem, imagine uma música que, para ser tocada, precise do corpo humano em movimento.  Assista ao vídeo https://www.youtube.com/watch?v=L3XlxbNxjqg

Esse trabalho do Professor Lucas com o bloco “O Passo” inspira alguma ideia de como trabalhar na escola? E sobre o trabalho com tecnologia, traz alguma sugestão?
Assista também a entrevista com Lucas Ciavatta, professor de música, maestro do grupo e criador do Método do Passo sobre como foi compor e executar essa obra. Acesse o link:

Quinta Etapa, texto O construcionismo e a pedagogia por projeto

Uma forma de favorecer o aprendizado do aluno na abordagem construcionista usando os recursos tecnológicos é por meio da pedagogia de projeto. No que concerne a essa questão, Prado (2005) assevera que :
"A pedagogia de projeto deve permitir que o aluno aprenda-fazendo e reconheça a própria autoria naquilo que produz por meio de questões de investigação que lhe impulsionam a contextualizar conceitos já conhecidos e descobrir outros que emergem durante o desenvolvimento do projeto."
Na situação de aprendizagem com projeto o que o aluno pode vivenciar?
A aprendizagem não se restringe à acumulação de conteúdos ou a doses de informações isoladas. Ela é, efetivamente, um processo que ocorre de modo diferente em cada pessoa, que, por sua vez, está inserida em um contexto sócio-histórico. Logo, a aprendizagem ocorre nas interações que se estabelecem em um meio social, com as pessoas e com os instrumentos desse meio, percorrendo múltiplos caminhos e utilizando distintas linguagens de expressão.
Destacamos, ainda, que as metodologias tradicionais que se alinham com a abordagem instrucionista – centrada na transmissão de informações ao aluno por meio do livro texto, da exposição do professor ou de um softwaredo tipo tutorial – impõem ou depositam as informações sobre o aluno, que tem poucas chances de apreender tais informações.
Se, ao invés disso, as informações forem buscadas pelo aluno ou mesmo fornecidas a ele no decorrer de experiências ou a partir de vivências anteriores, será mais fácil de ele estabelecer relações entre essas situações e as informações, atribuindo-lhes significadospormeio  de  um  processo  de  aprendizagem  significativa.

Nessa abordagem pedagógica, a postura do aluno envolve:
(i) selecionar e articular informações;
(ii) tomar decisões;
(iii) trabalhar em grupo;
(iv) gerenciar confronto de ideias;
(v) aprender colaborativamente com seus pares;
(vi) fazer indagações;
(vii) levantar dúvidas;
(viii) estabelecer relações com o cotidiano, com aquilo que já sabe;
(ix) descobrir ideias e novas compreensões.

Conceito de projeto

A ideia de projeto envolve a antecipação de algo desejável que ainda não foi realizado; traz, igualmente, a ideia de pensar uma realidade que ainda não aconteceu. Projeto é, pois, uma construção própria do ser humano que se concretiza a partir de uma descrição inicial de um conjunto de atividades, cuja realização produz um movimento no sentido de buscar, no futuro, uma nova situação que responda as suas indagações ou caminhe no sentido de melhor compreendê-las.

Durante o desenvolvimento do projeto, o aluno tem a oportunidade de recontextualizar conceitos e estratégias, bem como estabelecer relações significativas entre as várias áreas de conhecimentos. Para isso, cabe ao professor adotar uma postura de observação e de análise sobre as necessidades conceituais que emergem no desenvolvimento de um projeto e desenvolver estratégias pedagógicas que possibilitem o aprendizado do aluno, tanto no sentido da abrangência como no sentido do aprofundamento. (FREIRE; PRADO, 1999).

O sentido da abrangência é representado pelo trabalho por meio de projeto, no qual
as diversas áreas curriculares e as tecnologias se articulam, e o sentido do aprofundamento se refere às particularidades de uma área/disciplina. Importa frisarmos que ambos os sentidos – abrangência e aprofundamento – devem estar inter-relacionados e em constante movimento, com vistas a propiciar a compreensão da atividade pelo aluno e a possibilidade de desenvolver outros níveis de relações.





Projetos na prática

Temos consciência de que o uso de tecnologias de informação e comunicação – que
surgiram separadas, depois convergiram e passaram a compor um único dispositivo – modificam profundamente o modo como desenvolvemos atividades. Vale lembrarmos que já discutimos as mudanças que a internet está provocando em nossa vida, nas compras, no sistema bancário, entre outras.

Os projetos de trabalho que começam em sala de aula podem continuar em outros lugares e tempos, do mesmo modo que podem originar-se de acontecimentos externos à escola. Conforme discutimos anteriormente, é na interação com nossos alunos que poderemos descobrir temas pertinentes para projetos que possibilitem a aprendizagem significativa, sendo fundamental fazer a articulação entre a realidade do estudante em seu dia a dia e seus estudos na escola.


Projetos de trabalho em sala de aula com a integração de tecnologias ao currículo

Enfatizamos que esta atividade pode ser considerada como um “ponto alto” docurso, quando você estará aplicando, em sua prática, um amplo conjunto de aprendizagens construídas até aqui, acerca da aplicação das TICs na educação como possibilidade de inovar a prática educativa e de ultrapassar as paredes da sala de aula e as limitações das grades de programação de conteúdo.

Para facilitar sua compreensão da complexidade da tarefa, leia com atenção os seguintes esclarecimentos.A realização de um Projeto de Trabalho envolve diversas etapas, que, de forma simplista, podemos citar:




A duração de um Projeto varia de acordo com cada contexto, sendo influenciadapela abrangência e aprofundamento almejados para determinada turma – analisando-se conhecimentos prévios, possibilidades, currículo oficial, etc. A disponibilidade de tempo é, também, uma questão central do planejamento e do estabelecimento de um cronograma com prazo final previsto para o Projeto.

Acerca desse último aspecto, é relevante salientarmos que, muitas vezes, o término de um Projeto é o ponto de partida para outros; ou seja, com as descobertas e resolução de determinadas dúvidas, naturalmente surgem outras que poderão ser retomadas em Projetos posteriores.

No caso específico deste curso, nossas possibilidades e perspectivas de cronograma seguem os limites de tempo das unidades. Nas atividades anteriores desta unidade, você avançou a primeira etapa, no sentido de vislumbrar possibilidades de temas de pesquisa a serem desenvolvidos com seus alunos. No momento, nesta atividade, passaremos ao planejamento geral do projeto. Para, na sequência das próximas semanas desta unidade, você realizar as atividades de pesquisa com seus alunos, sugerimos que você tente finalizar a etapa de pesquisa ainda nesta unidade, visto que, na próxima unidade, focaremos na aplicação dos estudos para auxiliá-lo na sistematização dos resultados do Projeto, aproveitando recursos audiovisuais.

Este plano poderá ser elaborado individualmente ou em grupos de professores de uma mesma escola, desde que se comprometam a desenvolver as ações de modo integrado. Para essa escolha, também é importante avaliar de que forma professores de diferentes disciplinas podem contribuir para que os estudantes tenham uma compreensão mais abrangente do tema, favorecendo a interdisciplinaridade, conforme estudaremos mais adiante.


O projeto na escola

Ao desenvolver projetos em sala de aula, apresenta-se a necessidade de se criar uma nova cultura educacional. Nessa perspectiva, a utilização das tecnologias e mídias potencializa a construção de redes de conhecimento e comunicação, bem como o desenvolvimento de projetos voltados para compreensão e para a resolução de problemas da realidade. O uso das tecnologias e mídias no desenvolvimento de projetos favorece, efetivamente, uma nova visão educacional ao:




·         considerar a escola como um espaço privilegiado de interação social, integrada a outros espaços de produção do conhecimento;
·         promover a colaboração e o diálogo entre alunos, professores, gestores e comunidade;
·         construir pontes entre conhecimentos, valores, crenças, usos e costumes;
·         desenvolver ações em prol da transformação individual e social; e identificar o currículo construído na ação, por meio da análise dos registros digitais.


Essa nova visão educacional traz certezas provisórias e dúvidas temporárias no sentido argumentado por Fagundes e colaboradores (1999):

A elaboração do projeto feita em parceria entre alunos e professores deve ser entendida como uma organização aberta, que articula informações conhecidas, baseadas em experiências do passado e do presente, com antecipações de outros aspectos que surgirão durante a execução. Essas antecipações representam algumas certezas e dúvidas sobre conceitos e estratégias envolvidos no projeto.

Em vista disso, vale pontuarmos que, na concepção de Prado (2005), “No momento em que o projeto é colocado em ação, evidenciam-se questões, por meio do feedback, comparações, reflexões e de novas relações que fazem emergir das certezas, novas dúvidas e das dúvidas algumas certezas”.

Projeto e as integrações

O trabalho por meio de projeto potencializa a integração de:

·         diferentes áreas de conhecimento, ou seja, a multidisciplinaridade e a interdisciplinaridade;
·         e várias mídias e recursos, tais como livros, TV, rádio, computador, filmadora.
Lembre-se de que, no trabalho com projeto, desenvolvido na perspectiva integradora, o aluno pode expressar seu pensamento por meio de diferentes linguagens e formas de representação.

Projeto e a interdisciplinaridade
O projeto também pode ser feito a partir de um conteúdo disciplinar. O importante é
que o seu desenvolvimento não se feche em si mesmo. Acerca disso, Almeida (2002, p. 58) destaca que
[...] o projeto rompe com as fronteiras disciplinares, tornando-as permeáveis na ação de articular diferentes áreas de conhecimento, mobilizadas na investigação de problemáticas e situações da realidade. Isso não significa abandonar as disciplinas, mas integrá-las no desenvolvimento das investigações, aprofundando-as verticalmente em sua própria identidade, ao mesmo tempo em que estabelecem articulações horizontais numa relação de reciprocidade entre elas, a qual tem como pano de fundo a unicidade do conhecimento em construção.

Interdisciplinaridade

A interdisciplinaridade se caracteriza como uma categoria de ação. Assim, a integração entre disciplinas se faz na prática, no desenvolvimento do currículo que trata o conhecimento em sua globalidade. Essa atitude diante do conhecimento não elimina, evidentemente, as disciplinas como um corpo organizado de conhecimentos, mas estes podem se integrar a conhecimentos de outras disciplinas, no estudo de determinado fenômeno ou no desenvolvimento de um projeto. O uso de tecnologias permite, com efeito, retomar a visão de conhecimento em sua unicidade por meio do estabelecimento de ligações em redes que integram ideias, conceitos, experiências, padrões de distintas áreas e disciplinas, reconfirmando a relatividade da ciência e a noção de espaço-tempo.
Por sua vez, a divisão entre as disciplinas não é estática e ocorre à medida que se aprofundam os conhecimentos de determinada área cuja compreensão exige estudos especializados. Essa especialização tornou-se, contudo, tão intensa que os vínculos entre as disciplinas se perderam, e cada uma delas passou a ser ministrada isoladamente na ótica de um corpo teórico que perdeu a ligação com a prática e de uma estrutura de sistema de ensino que se apoia num quadro de professores e de horários preestabelecidos para cada disciplina.
Julgamos, ainda, pertinente ressaltar que a pessoa aprende quando estabelece relações entre novas informações com conhecimentos que possuía e constrói novos significados. Isso ocorre tanto no âmbito de uma disciplina como na integração entre disciplinas.


Fonte: TORNAGHI, Alberto José da Costa. PRADO, Maria ElisabetteBrisola Brito. ALMEIDA, Maria Elizabeth Biancocini de. Tecnologias na educação: ensinando e aprendendo com as TIC: guia do cursista. 2ª ed. – Brasília: Secretaria de Edu